Amor de Domingo

Era um domingo de manhã.
Ela acabara de acordar, caminhou com dificuldade até a cozinha e engoliu dois copos de água ? a noite do dia anterior fora de festa. Quando preparava-se para sair da cozinha, ouviu ele a chamando.
-Ei!
Ele estava deitado naquelas poltronas reclináveis que parecem perfeitas para um cochilo, mas que não nos deixam realmente dormir.
-Deita aqui comigo um pouquinho? Me faz companhia?
Ela pensou duas vezes. Não, não vou, desse jeito, ele vai achar que é só pedir que eu vou correndo, vai se acostumar mal. Vou dar uma de difícil.
Foi até a cozinha, arrumou os copos na pia, espiou o celular para ver que horas eram, mas, no final, o emocional ganhou do racional.

Era tão seguro ficar deitada com ele. Ainda que fosse assim, só dormir junto. A cabeça no ombro dele, os braços dele em torno da cintura dela; pareciam um. E foi naquela hora, deitada como gostaria de ficar por horas, que ela percebeu.

O amor instável acabara. A paixão acabara. O coração dele batia normalmente, em freqüências rítmicas, lentamente.
Antes as mãos suavam quando eles estavam juntos, o coração batia forte; às vezes, disparava. As palavras se atropelavam, a perna bamba denunciava o nervosismo.
E agora, o que aconteceu? Acabou tudo aqui?
A ansiedade, o nervosismo, as expectativas.

Agora restava o amor. Apenas o amor. Amor estável, amor de poder pedir colo, amor de ficar deitado junto.
Um amor de domingo de manhã.



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