À meia luz, os contornos eram mais evidentes.
Deitada ao lado dele, ela observava cada detalhe. Não irritava-se com a insônia. Na verdade, achava-a oportuna nas noites que podia passar ao seu lado. Muitas vezes, costumamos olhar as coisas sem enxergar direito. Não é difícil achar namorados que mal sabem a cor dos olhos da namorada. Mas não era esse o caso. Sem sono, ela ocupava-se em olhar demoradamente para aquele rapaz que dormia tranquilamente ao seu lado. Esse era um segredinho que guardava para si mesma.
O cabelo negro levemente cacheado, e bagunçado pelo sono, caía-lhe como uma moldura desalinhada pela testa, contrastando com a pele branca. As sobrancelhas bem desenhadas eram arcos sobre os olhos que, apesar de fechados naquele momento, ela sabia bem que eram verdes.Havia no rosto sombras de uma rala barba por fazer, da qual ela não gostava muito, e era sempre motivo de discussão. Descendo o olhar pelo nariz bem definido, chegou à boca...
Ah, aquela boca. Lábios macios, cheios, sendo o superior um pouco mais fino que o inferior. Contornou-a levemente com os dedos, num carinho tão respeitoso quanto lascivo, e conteve-se depois que ele resmungou qualquer coisa em seu sono e remexeu-se na cama.
Seu peito subia e descia ritimadamente, numa respiração cadenciada e tranquila. Acariciou-lhe o peito, e foi descendo o carinho pelos braços fortes até tomar entre a sua a mão pequena, de dedos calejados e bem constituídos. Apertou-a como se não quisesse deixá-la escapar.
De repente, ele se remexe na cama novamente, vira-se e a toma em um abraço. E em seu sono, sorri. Ao ver aquele sorriso, ela mesma sorri, tentando imaginar se era com ela que ele estava sonhando naquele momento.
Tomada por uma ternura imensa, ela beijou levemente sua testa, cobriu-o com o cobertor e entregou-se ao sonho naquele abraço sonolento, desejando que aquele momento fosse eterno.
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