Não quero mais brincar de amor

Não quero mais brincar de amor.
Amor queima, sufoca, cega, emburrece.
Ao amar alguém, perde-se o amor próprio.
Amor às vezes pode completar uma vida. Mas não faz uma vida.
Precisamos de companheirismo, de sinceridade, de certezas.
Estabilidade. É essa a palavra. E não há estabilidade no amor.
Por isso não, não quero mais brincar de amor.
Quero andar de mãos dadas na rua.
Quero ficar até mais tarde na cama numa manhã de domingo, sem fazer nada além de simplesmente poder olhar a pessoa ao meu lado.
Quero ver programas bobos na TV em uma noite fria deitada no colo de alguém, e ficar falando mal deles.
Quero deitar a cabeça no travesseiro de noite sentindo o calor de um corpo, sem ter medo de não estar sentindo-o na noite seguinte.
Quero alguém que me faça rir, e a quem eu possa fazer rir.
Quero apenas querer, e nunca precisar.
Então não, não quero mais brincar de amor.
Não quero mais esse frio na barriga.
Não quero mais essa dor no peito.
Não quero mais noites em claro com a cabeça a mil.
Não quero mais esse medo de sofrer.
Não quero mais, nunca mais, brincar de amor.

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