(Sem Título)

Meu ciúme é sufocante. Massacrante e víscero.
Pois digo que se te incomoda, me faz remexer por dentro.
Queria logo ver-me livre dele.
Ele é pesado.

Dessa vez escrevo para mim. Sem intenções de agradar.

O barulho da chuva no telhado me acalma. Chuva, chuva, leva embora meus pecados? Lava minha alma, me faz leve.
Não me orgulho dos últimos dias, dos últimos tempos.

Tenho mil defeitos e nenhum talento. Nenhuma convicção, certezas que se vão com o vento.
E quero sempre fugir - acho que fujo é de mim.

Me escapa o otimismo e sobram apenas as coisas ruins.
Como maçã podre; murcho, enfadonho, me desfaço.
E todos os encantos que pintei ficam para você - para que ao menos a lembrança lhe seja doce e aconchegante.

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