A manhã ainda é cinza e escura. A garoa fina e o vento forte aumentam a sensação de frio, enquanto caminho a passos apressados pela rua, protegida pelo abraço quente do meu cachecol.
No meu ouvido, ouço o Billie Joe cantando só para mim. E sorrio...
Imagino que não seja normal ver uma pessoa andando na rua em Sampa, na chuva, as 6 horas da manhã, sorrindo. Por isso os olhares esquisitos das pessoas de dentro dos carros.
Mesmo assim, eu continuo sorrindo.
Sorrio de dentro do ônibus para a paisagem de concreto que aos poucos vai se tornando meu lar.
Sorrio para os primeiros raios de sol da manhã, que tocam meu rosto em um carinho morno.
Sorrio para meu reflexo no vidro.
Sorrio para as lembranças despertadas pela música que o Billie Joe sussura no meu ouvido.
Sorrio da minha ingenuidade do passado, com a aceitação do presente e para a maturidade do futuro.
Enfim, eu sorrio para a vida.
E assim as pessoas continuam olhando com desconfiança, achando loucura alguém sorrindo sem motivo tão cedo, pela manhã.
Eu discordo. Loucura é pensar que não existem motivos pra sorrir.
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