Cheio de Amandas e Rafaéis

aos leitores: ler o 'Seguro na ponta de meus dedos brancos o coração que é teu', da marina.

à marina: achei lindo, do fundo do coração



Cheio de Amandas e Rafaéis


Amanda juntava todos os fios de cabelo em um só rabo-de-cavalo, queria ser linda para Rafael, na vã esperança de sentir de volta o que sentia por aquele menino. Amanda, tão bonita, tão certa de seu amor por Rafael, tão segura na sua própria insegurança, perdeu. Perdeu Rafael e perdeu a si mesma. Como pode alguém ser tão ingrato com um amor tão puro? Amanda agüentava a lerdeza de Rafael, a imaturidade de Rafael, as dúvidas de Rafael. O amor de Amanda era seguro, para Rafael. Rafael queria sentir o coração explodir, Rafael queria gritar "eu te amo!" - e não era pra Amanda.

Amanda não era tola, Amanda amava. Amava daquele jeito inocente e quase nocivo que é amar quando não se é amado à mesma quantidade. Amanda faria o que fosse pra Rafael amá-la. Exceto que Rafael nunca iria, por mais mundos que Amanda trouxesse para ele.

Amanda, então, viu em Samanta tudo o que não era. Ah, mas Samanta deixa os cabelos soltos, Samanta toma café amargo e lê Quintana com uma beleza só dela. Pra Samanta, sim, eu grito pro mundo inteiro que estou amando. E o amor, vocês sabem, têm essa característica - boa pra quem sente, ruim pra quem fica ao lado - de cegar. Cada faísca saída de Rafael era um tiro no coração de Amanda. Cada sorriso que Rafael dava para Samanta, era uma lágrima. Rafael matava, aos poucos, Amanda. Rafael conquistava, aos poucos, Samanta.

O que fará Amanda, agora? Como não deixar o ódio - que é amor - por Rafael transformá-la em uma pessoa amarga? Amanda não queria ser amarga, Amanda queria ser amada.

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