ela entrou correndo casa, esperava por aquilo há séculos. vamos, vamos, ela me puxava, me arrastava, fazia com que eu saísse a todo custo de casa, para que visse aquele grandioso encontro; o encontro do sol com a lua.
fazia um dia de céu azul e nuvens fofas lá fora. um dia que foi fugindo devagarzinho, até sumir,desaparecer por completo: virou noite. noite no meio do dia; de um dia tão lindo que se perdera naquela dita hora.
lindo, ela me dizia, deslumbrada.
lindo, lindo, eu repetia comigo mesmo. mas só fazia achar aquilo tudo triste e tedioso, apenas.. me perguntava, porque alguém iria querer ver aquilo, porque a lua tinha que fazer isso, acabar com meu dia tão bonito.
o maldito casamento duraria uma eternidade. ou não, não sei, não vi. quando dei por mim, ela estava deitada na grama, olhando para o céu. não olha pro sol, não, luisa. fez que não ouviu, puxou-me para perto dela e apontou pruma bola branca que flutuava no céu. vê a lua, mano? engraçado, ver ela assim, de dia. quase que não aparece; fica escondida, a lua..
já a noitinha, peguei luisa flutuando em pensamentos, na janela de nosso quarto. como se acordasse de repente, sorriu para mim. sorriu um sorriso leve e puxou os bracinhos para cima, como se espreguiçasse. jogou-se na cama, minha irmã menor, a luisa. fui cobri-la com beijos e boa noite e ela, como se me contasse um segredo, disse que a noite era o dia virado do avesso.
talvez fosse mesmo. e eu sei que você gostava mais da noite, irmãzinha. para dormir e para sonhar, luisa..
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