foi sem querer!, entregou-lhe joaninha. a súplica pelo perdão de Romão era tamanha que ela não via sequer que não havia feito nada de errado. seu primeiro erro era redimir-se sempre. Romão tinha o controle da situação. tinha o controle de joaninha, de seus atos e, diferentemente de joaninha, tinha controle sobre si mesmo.
joaninha suspirava ao escovar os cabelos, entrava no pijama e se deitava, sem dormir. imaginava um Romão que não existia para os outros, mas para ela. pensava em Romão mais do que deveria. Romão deixava joaninha e seu pensamento logo escapava para o jogo de truco, a pinga no bar com mesa de lata, a loira jogando charme ao seu lado.
joaninha era tão inha que não se acha à altura de um Romão tão ão, tão seguro de si. e ela, tão pequenina, tão frágil. portanto, joaninha aceitava que Romão tivesse seus encontros regados a pinga, cerveja e perfume barato de perfumaria com a loira do bar. joaninha sozinha não satisfazia Romão e ela entendia que ele precisava de mais que ela.
*
numa daquelas noites quentes de verão em que o bom humor paira até mesmo sobre os mais soturnos, eles casualmente se encontraram depois de tanto tempo.
joaninha era outra pessoa: mais machucada, mais sofrida, mas mais sabida. Romão era o mesmo de sempre na sua feliz ignorância: um pouco mais calvo, um pouco mais gordo, algumas rugas da idade, mas o mesmo em essência.
esboçaram um oi sem graça e seguiram seu caminho. insípidos, insossos..; indiferentes.
joaninha exibia um tímido sorriso, que tomou o cuidado de esconder de Romão. ela mudara, mas ele continuava o mesmo de sempre e isso a consolava mais do que ele podia entender.
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