da janela, vi a noite cair sobre ela.
uma noite triste e gelada,
para ela, que queria sentir-se enluarada,
prateada,
estrelada.
mas, nada. nem os grilos que cantavam lá fora,
cantavam para ela...
- - -
'well i'm softer than my face would suggest
and at times like these i'm at my lowest ebb
but i know i can confide in you
if i cry to set the mood oh please could you cry too?' (camera obscura)
ela entrou correndo casa, esperava por aquilo há séculos. vamos, vamos, ela me puxava, me arrastava, fazia com que eu saísse a todo custo de casa, para que visse aquele grandioso encontro; o encontro do sol com a lua.
fazia um dia de céu azul e nuvens fofas lá fora. um dia que foi fugindo devagarzinho, até sumir,desaparecer por completo: virou noite. noite no meio do dia; de um dia tão lindo que se perdera naquela dita hora.
lindo, ela me dizia, deslumbrada.
lindo, lindo, eu repetia comigo mesmo. mas só fazia achar aquilo tudo triste e tedioso, apenas.. me perguntava, porque alguém iria querer ver aquilo, porque a lua tinha que fazer isso, acabar com meu dia tão bonito.
o maldito casamento duraria uma eternidade. ou não, não sei, não vi. quando dei por mim, ela estava deitada na grama, olhando para o céu. não olha pro sol, não, luisa. fez que não ouviu, puxou-me para perto dela e apontou pruma bola branca que flutuava no céu. vê a lua, mano? engraçado, ver ela assim, de dia. quase que não aparece; fica escondida, a lua..
já a noitinha, peguei luisa flutuando em pensamentos, na janela de nosso quarto. como se acordasse de repente, sorriu para mim. sorriu um sorriso leve e puxou os bracinhos para cima, como se espreguiçasse. jogou-se na cama, minha irmã menor, a luisa. fui cobri-la com beijos e boa noite e ela, como se me contasse um segredo, disse que a noite era o dia virado do avesso.
talvez fosse mesmo. e eu sei que você gostava mais da noite, irmãzinha. para dormir e para sonhar, luisa..
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