Yin/Yang

Eu sou luz e escuridão
Sou noite e sou dia
Sou o preto e o branco
Sou tristeza e alegria

Sou o "não" falado apesar do "sim" sentido
Sorrio por fora enquanto choro por dentro
Demonstro força enquanto a alma desmorona
Amo com o coração e odeio com o pensamento

Queria ser apenas um, e não ambos
E seguir em linha reta na vida
Mas por mais que eu tente, sou o que sou
A menina assustada dentro da mulher crescida








Viver, morrer... E nascer de novo.

Vida. Morte.
Biologicamente falando, parece simples.
Mas contentar-se com essa explicação é ser simplista demais.
A todo instante, morremos e renascemos.
Tem uma frase de um poema de Luiz Fernando Veríssimo que diz: "Porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."
E isso é bem verdade. Quem tem medo de viver, de experimentar, de sofrer, e economiza vida, já morreu há tempos.
Porque sofrer desilusão amorosa é morrer por dentro.
Porque quando perdemos um ente querido, uma parte de nós morre junto.
Porque todas as vezes que choramos de tristeza, uma parte de nós se esvai com as lágrimas.
Parece trágico demais, mas não é. A graça está justamente aí.
Porque amar de novo depois da desilusão é ter outra chance de viver.
Porque um sorriso depois da lágrima renova a vida dentro da gente.
Porque um novo nascimento na família é uma segunda chance.
Viver é isso. Morrer um pouco, para reviver novamente um pouco depois. É como o dia e a noite... O dia morre para a noite nascer, mas então renasce quando a noite morre, e assim acontece todos os dias.
Viver sem sofrer é apenas sobreviver. Porque quando as coisas são estáveis demais, nós nos acomodamos. É o sofrimento que nos mata e nos faz parar pra pensar, e assim evoluirmos para renascermos como pessoas melhores.
Por enquanto, estou no limbo. Mas aguardo ansiosamente minha vez de renascer.

Anjo - Para Tom

Ele queria ser um anjo.
Ao olhar o céu, tinha um sentimento de nostalgia, como se a alma soubesse que aquela era a sua casa. Aqui, definitivamente, sentia-se deslocado.
"Não entendo os humanos... Não me sinto um deles", pensava ele.
Todos os dias, esperava que viessem buscá-lo para que retornasse ao seu lar. Então, ele poderia finalmente ficar em paz e ser feliz. Não era humano... Era anjo... Queria suas asas de volta, queria fazer aquilo que sabia que era o objetivo da sua vida: olhar por aqueles que precisavam e ajudá-los a achar o caminho da felicidade.
Ajudar os outros era o que ele fazia todos os dias, na tentativa de amenizar a sua angústia. Não entendia o porquê de tanta mentira, tanto egoísmo, tanta violência. Achava que de volta ao seu lugar de origem, lá no céu, poderia fazer muito mais por todos. Nas horas de solidão, fazia música... Algo que todos os anjos sabiam fazer muito bem.
E vivia assim, triste, sorrindo através dos sorrisos das pessoas que conseguia ajudar. Não reclamava por não ter um sorriso próprio. A sua felicidade era algo secundário. Sabia que seria feliz no dia em que pudesse retornar à sua casa.
Foi assim, até o dia em que alguém percebeu o óbvio. Ele já era um anjo. Claro, ele tinha imperfeições como todos, pois estava vivendo aqui entre nós. Mas ele não precisava de asas, nem estar no céu... Ele era o anjo mais especial de todos, justamente por estar aqui, no meio de todos, onde suas palavras amigas podiam ser ouvidas, seu toque gentil podia ser sentido, e suas lágrimas sofridas pelo mal do mundo podiam ser vistas.
Pensou... E percebeu não poderia fazer algo por todos, mas poderia fazer muito por poucos... As pessoas que estavam ao seu redor precisavam da sua presença, e ele não poderia ajudá-los tanto se não estivesse aqui, passando pelas mesmas experiências, para assim melhor compreendê-los.
Desistiu de voltar ao lar quando conheceu o amor. Essa era uma dádiva reservada aos humanos. E talvez, fosse a compensação por estar aqui. E aceitou, feliz, o seu destino.
E quem disse que não existem anjos sem asas?

Pensamento aleatório - I

Felicidade é alienação.
Quanto mais vivo e tomo conhecimento das coisas, menos acredito na felicidade.
Acredito sim em momentos felizes, momentos aleatórios de fuga da realidade. Mas não na felicidade plena.
Dizem que as grandes mentes que passaram por este mundo eram almas atormentadas, depressivas. O que só confirma a minha teoria.
Chamem-me de pessimista. Porém o mundo não me deixa outra escolha, a não ser pensar desta maneira.
Consciência é maldição.
Invejo a ilusão alheia. Confesso que várias vezes tentei fechar os olhos e dar esse salto no escuro. Mas quando a gente fecha os olhos, só acaba por tropeçar. E o tombo, pelo menos no meu caso, deixa cicatrizes doloridas. A minha ilusão seria então acreditar que eu poderia me iludir. Não, muito complicado isso.
Se é assim, por que tanto me incomoda ver rostos felizes na rua?
Só porque não acreditamos em algo, quer mesmo dizer que não existe?
Enfim...
Ignorância é uma dádiva.

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