Imensidão

Não existe nada mais complicado que a relação inter-pessoal, independente da natureza da relação.
Se já é uma tarefa difícil cada um lidar consigo mesmo, como um ser independente, quando envolvemos outra pessoa as dificuldades aumentam em progressão geométrica.
Quando penso na imensidão do mundo, nos bilhões de pessoas, e nas probabilidades e combinações implicadas nisso, parece-me quase improvável achar o par perfeito. Quem contraria as probabilidades e acha seu par foi como que contemplado nessa loteria universal, e deve fazer de tudo para não se perder da sua metade.
Mas, ao mesmo tempo, as mesmas probabilidades e combinações podem significar que as chances de encontrar uma metade que se encaixe perfeitamente são na verdade incontáveis. Se isso for verdadeiro, é um tanto quanto patético insistir em um relacionamento problemático, quando isso significaria apenas perder tempo, pois a fila anda e é mais longa do que se imagina.
Seria esse o paradoxo do universo?
Enfim, embora antagônicas, essas duas hipóteses se interligam pela necessidade do ser humano em buscar incessantemente sua alma gêmea, cara-metade, par perfeito. Ser improvável ou incontável não influencia em nada. Procuramos por algo simplesmente porque queremos ou precisamos. Às vezes, procuramos sem saber o que gostaríamos de achar.
E às vezes achamos sem nem mesmo ter procurado.

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