Penso, penso; depois penso de novo.
As palavras não se combinam, nem se alinham, nem se entrelaçam na minha cabeça.
Tenho a idéia, mas não o meio de colocá-la no papel. assim ela morre no pensamento...
Dou voltas e mais voltas, e acabo sempre no mesmo lugar: no princípio do nada.
Risco, rabisco, e torno a rabiscar em vão. A mão perde o desenho das letras e desliza a caneta em desenhos abstratos, sem forma nem sentido, que terminam em estrelas, flores e corações. Mas nada de palavras.
Assim, distraio-me. E a caneta esquece-se das linhas a serem traçadas e toma a forma de baqueta, escrevendo então um ritmo. O papel conforma-se com a sua brancura, e dobra-se em pássaro, em flor e em barco, para então virar uma bolinha amassada e fazer as vezes de bola de basquete, enquanto do lixo faço uma cesta.
Passada a distração, retorno ao que interessa. Outro papel em branco à frente. Caneta na mão.
E eu penso, penso; depois penso de novo...
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